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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Ana Paula Inácio: Depois de O Sangue, de Pedro Costa

era uma vez, como de todas as vezes,
os segredos,
de encontro ao coração das árvores
lisos e de papel,
era uma vez,
o cancro algures
no corpo cansado
mais três crianças
uma de mãe, outra de pai
e o filho irremediavelmente perdido.
Este pai, este filho
e o corpo de tudo o resto.
plas mãos um fio de sangue.
começa-se.
Faça de mim o que quiser.


Ana Paula Inácio in Poemas com Cinema, org. de Joana Matos Frias, Luís Miguel Queirós e Rosa Maria Martelo, Lisboa, Assírio & Alvim, 2010.

sábado, 26 de outubro de 2013

Ana Paula Inácio: Os milagres acontecem


Os milagres acontecem
a horas incertas
e nunca estou em casa
quando o carteiro passa.
Hoje, abriu a primeira flor
e eu disse é um sinal.
Olho em volta: estou só
trago esta sombra comigo.

INÁCIO, Ana Paula (2000), Vago Pressentimento Azul Por Cima, Porto, Ilhas.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Ana Paula Inácio

A ti,

leitor implícito não representado
a quem chamarei Jorge
pela confusão a que se permite com George
fonia de um país maior
e ainda distante
- a distância revela um amor mais límpido -
pergunto
como ressoam as frases dos meus versos
e que resposta dás
às minhas perguntas
sabes Jorge
quantas manhãs tem um dia
ou quantas noites
ou será que já tás deitado
e o meu mail
encontra o teu ecrã desligado
ou será que tens o coração em on
ou entristecido de
dor ou tédio
risca o que não interessar
e preenche a cheio
(desculpa o pleonasmo)
o traço descontínuo


                                                  Ana Paula Inácio, 2010-2011, Averno.