segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Maria José, Fernando Pessoa

A CARTA DA CORCUNDA PARA O SERRALHEIRO
Senhor António:
O senhor nunca há-de ver esta carta, nem eu a hei-de ver segunda vez porque estou tuberculosa, mas eu quero escrever-lhe ainda que o senhor o não saiba, porque se não escrevo abafo.
O senhor não sabe quem eu sou, isto é, sabe mas não sabe a valer. Tem-me visto à janela quando o senhor passa para a oficina e eu olho para si, porque o espero a chegar, e sei a hora que o senhor chega. Deve sempre ter pensado sem importância na corcunda do primeiro andar da casa amarela, mas eu não penso senão em si. Sei que o senhor tem uma amante, que é aquela rapariga loura alta e bonita; eu tenho inveja dela mas não tenho ciú­mes de si porque não tenho direito a ter nada, nem mesmo ciúmes. Eu gosto de si porque gosto de si, e tenho pena de não ser outra mulher, com outro corpo e outro feitio, e poder ir à rua e falar consigo ainda que o se­nhor não me desse razão de nada, mas eu estimava conhecê-lo de falar.
O senhor é tudo quanto me tem valido na minha doença e eu estou-lhe agradecida sem que o senhor o saiba. Eu nunca poderia ter ninguém que gostasse de mim como se gosta das pessoas que têm o corpo de que se pode gostar, mas eu tenho o direito de gostar sem que gostem de mim, e também tenho o direito de chorar, que não se negue a ninguém.
Eu gostava de morrer depois de lhe falar a primeira vez mas nunca terei coragem nem maneiras de lhe falar. Gostava que o senhor soubesse que eu gostava muito de si, mas tenho medo que se o senhor soubesse não se importasse nada, e eu tenho pena já de saber que isso é absolutamente certo antes de saber qualquer coisa, que eu mesmo [sic] não vou procurar saber.
Eu sou corcunda desde a nascença e sempre se riram de mim. Dizem que todas as corcundas são más, mas eu nunca quis mal a ninguém. Além disso sou doente, e nunca tive alma, por causa da doença, para ter grandes raivas. Tenho dezanove anos e nunca sei para que é que cheguei a ter tanta idade, e doente, e sem ninguém que tivesse pena de mim a não ser por eu ser corcunda, que é o menos, porque é a alma que me dói, e não o corpo, pois a corcunda não faz dor.
Eu até gostava de saber como é a sua vida com a sua amiga, porque como é uma vida que eu nunca posso ter — e agora menos que nem vida tenho — gostava de saber tudo.
Desculpe escrever-lhe tanto sem o conhecer, mas o senhor não vai ler isto, e mesmo que lesse nem sabia que era consigo e não ligava importân­cia em qualquer caso, mas gostaria que pensasse que é triste ser marreca e viver sempre só à janela, e ter mãe e irmãs que gostam da gente mas sem ninguém que goste de nós, porque tudo isso é natural e é a família, e o que faltava é que nem isso houvesse para uma boneca com ossos às avessas como eu sou, como eu já ouvi dizer.
Houve um dia que o senhor vinha para a oficina e um gato se pegou à pancada com um cão aqui defronte da janela, e todos estivemos a ver, e o senhor parou, ao pé do Manuel das Barbas, na esquina do barbeiro, e depois olhou para mim para a janela, e viu-me a rir e riu também para mim, e essa foi a única vez que o senhor esteve a sós comigo, por assim dizer, que isso nunca poderia eu esperar.
Tantas vezes, o senhor não imagina, andei à espera que houvesse outra coisa qualquer na rua quando o senhor passasse e eu pudesse outra vez ver o senhor a ver e talvez olhasse para mim e eu pudesse olhar para si e ver os seus olhos a direito para os meus.
Mas eu não consigo nada do que quero, nasci já assim, e até tenho que estar em cima de um estrado para poder estar à altura da janela. Passo todo o dia a ver ilustrações e revistas de modas que emprestam à minha mãe, e es­tou sempre a pensar noutra coisa, tanto que quando me perguntam como era aquela saia ou quem é que estava no retrato onde está a Rainha de Ingla­terra, eu às vezes me envergonha de não saber, porque estive a ver coisas que não podem ser e que eu não posso deixar que me entrem na cabeça e me dêem alegria para eu depois ainda por cima ter vontade de chorar.
Depois todos me desculpam, e acham que sou tonta, mas não me jul­gam parva, porque ninguém julga isso, e eu chego a não ter pena da des­culpa, porque assim não tenho que explicar por que é que estive distraída.
Ainda me lembro daquele dia que o senhor passou aqui ao Domingo com o fato azul claro. Não era azul claro, mas era uma sarja muito clara para o azul escuro que costuma ser. O senhor ia que parecia o próprio dia que es­tava lindo e eu nunca tive tanta inveja de toda a gente como nesse dia. Mas não tive inveja da sua amiga, a não ser que o senhor não fosse ter com ela mas com outra qualquer, porque eu não pensei senão em si, e foi por isso que invejei toda a gente, o que não percebo mas o certo é que é verdade.
Não é por ser corcunda que estou aqui sempre à janela, mas é que ainda por cima tenho uma espécie de reumatismo nas pernas e não me posso mexer, e assim estou como se fosse paralítica, o que é uma maçada para todos cá em casa e eu sinto ter que ser toda a gente a aturar-me e a ter que me aceitar que o senhor não imagina. Eu às vezes dá-me um desespero como se me pudesse atirar da janela abaixo, mas eu que figura teria a cair da janela? Até quem me visse cair ria e a janela é tão baixa que eu nem mor­reria, mas era ainda mais maçada para os outros, e estou a ver-me na rua como uma macaca, com as pernas à vela e a corcunda a sair pela blusa e toda a gente a querer ter pena mas a ter nojo ao mesmo tempo ou a rir se calhasse, porque a gente é como é não como tinha vontade de ser.
O senhor que anda de um lado para o outro não calcula qual é o peso de a gente não ser ninguém. Eu estou à janela todo o dia e vejo toda a gente passar de um lado para o outro e ter um modo de vida e gozar e falar a esta e àquela, e parece que sou um vaso com uma planta murcha que ficou aqui à janela por tirar de lá.
O senhor não pode imaginar, porque é bonito e tem saúde o que é a gente ter nascido e não ser gente, e ver nos jornais o que as pessoas fazem, e uns são ministros e andam de um lado para o outro a visitar todas as ter­ras, e outros estão na vida da sociedade e casam e têm baptizados e estão doentes e fazem-lhe operações os mesmos médicos, e outros partem para as suas casas aqui e ali, e outros roubam e outros queixam-se, e uns fazem grandes crimes e há artigos assinados por outros e retratos e anúncios com os nomes dos homens que vão comprar as modas ao estrangeiro, e tudo isto o senhor não imagina o que é para quem é um trapo como eu que fi­cou no parapeito da janela de limpar o sinal redondo dos vasos quando a pintura é fresca por causa da água.
Se o senhor soubesse isto tudo era capaz de de vez em quando me di­zer adeus da rua, e eu gostava de se lhe puder pedir isso, porque o senhor não imagina, eu talvez não vivesse mais, que pouco é o que tenho de viver, mas eu ia mais feliz lá para onde se vai se soubesse que o senhor me dava os bons dias por acaso.
A Margarida costureira diz que lhe falou uma vez, que lhe falou torto porque o senhor se meteu com ela na rua aqui ao lado, e essa vez é que eu senti inveja a valer, eu confesso porque não lhe quero mentir, senti inveja porque meter-se alguém connosco é a gente ser mulher, e eu não sou mu­lher nem homem, porque ninguém acha que eu sou nada a não ser uma es­pécie de gente que está para aqui a encher o vão da janela e a aborrecer tudo que me vê, valha-me Deus.
O António (é o mesmo nome que o seu, mas que diferença!), o Antó­nio da oficina de automóveis disse uma vez a meu pai que toda a gente deve produzir qualquer coisa, que sem isso não há direito a viver, que quem não trabalha não come e não há direito a haver quem não trabalhe. E eu pensei que faço eu no mundo, que não faço nada senão estar à janela com toda a gente a mexer-se de um lado para o outro, sem ser paralítica, e tendo maneira de encontrar as pessoas de quem gosta, e depois poderia produzir à vontade o que fosse preciso porque tinha gosto para isso.
Adeus senhor António, eu não tenho senão dias de vida e escrevo esta carta só para a guardar no peito como se fosse uma carta que o senhor me escrevesse em vez de eu a escrever a si. Eu desejo que o senhor tenha todas as felicidades que possa desejar e que nunca saiba de mim para não rir porque eu sei que não posso esperar mais.
Eu amo o senhor com toda a minha alma e toda a minha vida. Aí tem e estou toda a chorar.

MARIA JOSÉ
Prosa Íntima e de Autoconhecimento
Fernando Pessoa

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Ivan Strpka

Pegadas de pássaros


I.

Tudo está na margem. A árvore
Diverge de si própria por baixo do peso do anseio
Para gerar uma nova árvore,
Dentro da maçã uma nova maçã se gera,
As portas estão cheias de portas
e o dia faz nascer
outro dia sobre o caminho semi-cego.


II.


A minha cabeça no jardim está cheia de neve que irá cair
Pegadas de pássaro guiam-nos através dela, simples e indiscutível,
de margem a margem.
Por baixo da neve a concha azul rebenta.


Adeus, olhos azuis

As minhas orelhas estão cheias
do refluxo suave do mar.
ouço os cortes do fundo
dos corpos vazios
e do vidro indigo



O passado de uma pausa


E a casa era muitos-cantos
E desconhecida e branca
Transparentemente estrangeira
(sem pegadas)

Um caminho de terra para as coisas cegas
corre através da relva…



Tudo na concha


1/

Tudo na concha – Disse a criança. Pelos nossos objectivos deixamo-la tomar isso como um facto.
Nós vamos emergir do ovo. Nós vamos emergir da metáfora. A incessante disputa com a concha é a força motora dos nossos dias. Eu vi esse dia antes de mim. O ranger dos pés em prosa, compondo e descompondo numa sucessão do estremecer dos fragmentos.
Essa confusão da vida de areia rodopiante.

Eu vejo as tribos que não dormem dos guardiões da concha, espalhadas na areia que arde e nas bocas do desfile que assobia. Os seus cotovelos secos e afiados, as suas pálpebras afiadas, os seus olhos-brancos pequenos através do silêncio nervoso da miopia. As suas relações escondidas com os jogadores do jogo que prolifera, que abranda até ao infinito.
Na luta pela imaginação há uma luta pela concha. Luta com a concha. Luta na concha.


2/

A janela está iluminada. Fora do crepúsculo que diminuí a cara empurrada pela sede avança de forma incerta. Um perfil frágil desenha-se a si próprio sem claridade. A cara subconsciente de uma mulher, levemente arredondada. Como se tivesse surgido de si própria. A altura inominável, recorrente nos nossos horizontes de cada dia. Esse crescimento vizinho onde há um depósito de lixo, armazéns ou antenas de televisão. Ou simplesmente esse silêncio nu da pedra que vêm, o fim do mundo e a erva daninha.

3/

Tenho as minhas coisas empacotadas. Coisas. Só agora reparei em como fui absorvido pelo dia. As coisas estão ao meu lado, mas eu não serei capaz de descrevê-las exaustivamente. Mergulho de cabeça numa corrente brilhante. Vejo um tremer distinto aos pés da inominável altura. De repente ela atravessa-me como uma resposta desarticulada. O que realmente pode ser uma parte indissociável da original de uma pergunta auto-resposta.


4/ As Coisas estão empacotadas. Ainda tenho de atirar alguns grãos aos papagaios. Ciao. Vou deixar uma mensagem na porta. Aí ela vai brilhar através do buraco da fechadura. E dá a impressão que eu não emerjo de dentro, antes pelo contrário, eu queria entrar.
E actualmente é esse o caso. Tão perto da verdade, devia passar à frente, nas faixas de Fermi, Mallory, caracóis cortados e caravanas sem nome. Mas não vamos atirar areia aos nossos próprios olhos. Vou trabalhar. Sou um viajante, sou um cartógrafo, sou um caminhante de estrada. Sou um detentor. Eu sou.
O que eu vou relatar. Eu sou tu. E devíamo-nos conhecer.


5/ Tudo está na concha. Cruzamentos, estradas, auto-estradas, ladrilhos e pavimentos. Eles começam em todo o lado. É onde tu estás agora. E em todo o lado há um caminho que parte. Quando o estás a pisar, ou quando estás a fazer o caminho trilhado. E sempre ele leva-te a através de ti.

É bom parar à beira de uma árvore sem frutos. Dar uma volta pela relva fresca. Beber água de uma garrafa do deserto e observar sem som as caras dos companheiros da jornada.
Oxerpa por exemplo. Nos chamamo-lo assim por causa da sua forma de andar. Mesmo lá em baixo nas planícies argilosas ele caminha sempre com uma ligeira inclinação para a frente, como se estivesse a escalar uma montanha. Aqui na planície, ele revela-nos a cada passo uma parte de uma verdade íngreme. Ele conhece-a mas não está a pensar nela . Ele é taciturno. Sempre avança em frente.
Ao lado da árvore sem frutos eu calculo a posição geográfica. Nós estamos precisamente a 730 graus da expansão para sul da concha.

Ivan Strpka

Tradução de Nuno Brito - Literature Across Frontiers. Vila do Conde 2010

André Domingues

Em comunhão com ninguém


Um convento fica longe da necessidade do mundo,
mas o amor fica ainda muito para lá do convento.
É como se não houvesse estradas para amar, ou pés
suficientemente descalços sobre as incandescências
da ausência viva,
e a reclusão no amor fizesse ela própria votos
de pobreza extrema,
escrevesse um diário da ingratidão
com o desmazelo,
e chegasse a uma fórmula de desviver
honestamente em comunhão com ninguém.

sábado, 10 de setembro de 2011

Sonata Paliulyte

Variação de um tema A Raposa e o Príncipe


Quando eu cavar o meu covil
Serei uma raposa indomável
Pêlo eriçado
Orelhas acesas
Vou mostrar os meus dentes
Vou aguçar as minhas garras
Vou congelar em silêncio
E não vou ficar
Só os meus olhos fluorescentes
Vão acender a densa escuridão
Apenas o contínuo
Som do rosnar
e os dentes brilhantes
para assustar aqueles que passam e ninguém
nem o mais pequeno
nem o príncipe ou o mendigo
tentará cativar a minha amizade
e ninguém será suficientemente corajoso,
para me domar
e golpear
o meu pêlo frisado
(nem despenteá-lo)
Aqui eu vou morrer
com um sorriso de raposa
os meus pequenos truques
irão levar a fim as suas tarefas
um cão de caça vai segurar o corpo
e o caçador
vai sacudir o lixo
da sua pele
e escova e golpeia-o, na penugem
a sua cabeça confirma:
- Esta foi a mais bonita
e a mais não-raposa de todas as raposas
pobrezinha, desapareceu tão cedo.



Auto-de-fé



O céu calmo
arremessa pedras de granito
para dentro do silêncio mudo

Na palma da mão fria
Os cactos de vidro
começam a falar.

Por cima do lento redemoinho,
branco tão branco
flocos de neve em colisão.

Na abóbada do céu
caracóis de negro
as nuvens ganham forma

devagar, devagar,
na palma da mão húmida
eles apressam-se a morrer


e os anjos terrenos
experimentam o tamanho
dos seus robes negros.


Tradução de Nuno Brito

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Rosa Maria Martelo: A Porta de Duchamp


A Porta de Duchamp – Rosa Maria Martelo: Averno, Lisboa 2009



“Quando vivia em Paris, no pequeno apartamento da rua Larrey, nº 11, Duchamp fez instalar dentro de casa uma porta que não podia estar aberta nem fechada porque estava sempre aberta e fechada ao mesmo tempo” Assim começa “A Porta de Duchamp” de Rosa Maria Martelo, narrativa fragmentada de 17 partes, todas elas com um ponto em comum: as portas como ligação / o que abre / o que fecha - O que mesmo que esteja fechado está aberto. A reflexividade é marcadamente forte neste texto, injectado de uma emotividade sensorial muito acesa e de uma profunda e muito viva perspicácia. Logo no início, as citações iniciais revelam um pouco da narrativa:

“Ouvi bater à porta.
Não há porta. Porque haviam de bater à porta que não há?”
Mário Cesariny

“Há algum que tenha a chave da porta do ser, que não tem porta, e me possa abrir com razão a inteligência do mundo? “
Álvaro de Campos

Duchamp, Fernando Pessoa, Cesariny abriram muitas portas, Rosa Maria Martelo também com este livro, sobretudo muitas perspectivas. Trata-se de um livro múltiplo, coerente e vital, sobretudo de grandes revitalizações.
A reflexão sobre a passagem / o abrir caminhos, é muito atenta e inteligente “Uma porta que ele abria quando a fechava (fechada mesmo aberta como, alguém disse acontecer com os livros”: A frase incluí reflexão sobre o fenómeno literário que continua no texto seguinte: “Há quem fale de livros entrados na carne, como agulhas, de venenos incolores descompassando veias”
O elemento – entrada / saída é revisitado em outras partes do livro – Entrar com força, sair com força. A viagem prossegue com outras pequenas histórias interligadas por este factor, A fotografia está presente. A fotografia usada como registo frágil, suporte perene, pode ser uma das múltiplas aberturas / perspectivas e interpretações do texto “Lama”: “O que faz um fotógrafo de nuvens e de estrelas, neste dia de chuva, de temporal desfeito, quase deitado no chão, fotografias espalhadas no meio da lama”. Em “Infância”, há uma Imagem fortíssima de grande carga sensorial mantendo um registo único: “subtrair à passagem das ondas e do tempo pedacinhos de nada, menos que conchas (búzios partidos, por exemplo de que ficara o centro em espiral). Há uma revitalização da infância: portas que se abrem e fecham na memória e são invocadas (abertas / ou fechadas) nunca por completo: “nada pode ser verdadeiramente deste mundo”. Em “Filme” são invocado Gregory Peck, Ingrid Bergman e Hitchcock: “É então que Hitchcock abre porta atrás de porta, naquele movimento contínuo de certos filmes que aceleram a vida das plantas para as vermos nascer e abrir e abri mais, mas não morrer”. É de grande importância o uso da repetição e a pontuação em “folhas nascem e abrem) e abrem) e abrem)” O parêntesis é fechado, mas não aberto – A abertura está na frase. Outros recursos de grande vitalidade criativa são usados na criação de palavras por repetição e hífen, como “porta-porta”: As palavras abrem.

Muito mais poderia ter sido dito de um livro que é uma porta aberta e de um livro que é uma porta fechada (aberta e fechada ao mesmo tempo). É um livro que Abre muitas portas / perspectivas, onde se deve entrar e sair várias vezes.

Nuno Brito

Leonard Cohen

... Despe-te da memória e ouve o fogo à tua volta. Não te esqueças da memória, deixa-a estar num sítio precioso com todas as cores que precisar, mas num outro sítio, iça a tua memória no Navio do Estado como a vela de um pirata, e responde à chamada do presente. Sabes como fazê-lo? Sabes como ver a acrópole do mesmo ângulo que os índios que nunca tiveram nenhuma?...

Leonard Cohen, Belos Vencidos

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Maria Quintans

a noite morde-me o tímpano

mãe

e sempre a tua mão me liga ao rosto

mãe

a tua pele é o meu cheiro

mãe

a porta é um jardim sem fim

mãe

e os dedos a constelação dos teus olhos


mãe
minha