sábado, 20 de setembro de 2014

Miguel Martins




Miguel Martins, Lérias, Lisboa, Averno, 2011, p. 12.

Miguel Martins. Do Futuro






Miguel Martins, Lérias, Lisboa, Averno, 2011, p. 11.

Bruno Béu


enquanto sonhas, as coisas tremem
como se as desfocassem
lágrimas já preparadas para serem
do sonho o teu real rosto.

acordas, porque as coisas tremem muito
e são quase uma só com muitos lados: o corpo
treme agora bem real com elas. as lágrimas

afinal escorrem. nos jornais
amanhã vão escrever seis graus
na escala do richter
que as mediu não sei bem como.

Bruno Béu, partilhado a partir de There´s Only one Alice.

Beatriz Hierro Lopes


(…) Pedem-me uma biografia e digo-o dentro de mim: a minha biografia é o meu nome, tudo o resto são pausas, virgulações que informam a banalidade congénita de ter nascido. A simplificação absoluta de uma história mora na certeza de pai e mãe, avós e demais família. (…)


Beatriz Hierro Lopes, É quase noite, Lisboa, Averno, 2013, p. 20.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Eugénio de Andrade. Mar de Setembro



Tudo era claro:
céu, lábios, areias.
O mar estava perto,
Fremente de espumas.
Corpos ou ondas:
iam, vinham, iam,
doceis, leves, só
alma e brancura.
Felizes, cantam;
serenos, dormem;
despertos, amam;
exaltam o silêncio.
Tudo era claro,
jovem, alado.
O mar estava perto,
puríssimo, doirado.

Eugénio de Andrade, Coração do Dia – Mar de Setembro, Lisboa, Assírio & Alvim, 2013.

sábado, 13 de setembro de 2014


Luis Maffei. Orientação dos Gatos


a Beth e Bethina, gatas

para medir a felicidade de um gato
cortázar
temo
não diz nada. basta
se eu digo
uma aterrissagem,
plano em contrário sabor
ao colapso: é
um gato
o poema nunca
que ensina o caimento,
simétrica mostra ao
saber da planagem, ato
impoluto e inumano
de cair de



Luís Maffei, partilhado a partir de Revista Literária Sítio.