Não levamos grande coisa
nem o corpo é nosso. Só o milagre
da língua debaixo dos braços
a decisão que demos a cada passo,
o direito de ser felizes que
levamos em testamento.
Não levamos grande coisa,
nem o sobretudo largo nem o casaco
de coiro.
Somos irmãos no Céu, Somos irmãos
no Céu
Façamos dos nossos vícios coisas
pequenas
como patas que nos ajudam a subir.
Unir certas pontas até então
desconexas
foi um texto que a vida nos foi dando:
Nem um amuleto de ouro, invisível
nos quatro bolsos, uma mãozinha
aberta ou fechada
cinco pontas felizes a brilhar em todo o lado,
à saída ou à entrada da ilha, à
espera de um autocarro
Não levamos grande coisa. Nem o
casaco de coiro
nem o sobretudo largo. Só a decisão
a cada passo,
o milagre da língua debaixo dos
braços,
um texto que a vida nos foi dando:
Um farol, o Futureiro.
