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domingo, 18 de setembro de 2016

Rainer Maria RIlke

É dia ainda no terraço
Sinto uma alegria nova:
se mergulhasse a mão na tarde
poderia espalhar, em cada viela,
oiro do meu silêncio.
Estou agora tão longe do mundo!
Com seu brilho da tarde, orlo
a minha solidão grave.
É como se alguém viesse
devagar roubar-me o nome
tão manso, que nem vergonha
sinto, e sei: já o não preciso.

Rainer Maria Rilke

terça-feira, 10 de março de 2015

Rainer Maria Rilke


A hora inclina-se e toca-me
com golpe claro, metálico:
Tremem-me os sentidos. Sinto: eu posso –
e agarro o dia plástico.

Nenhuma coisa era perfeita antes de eu a olhar,
todo o devir parara.
A cada um dos meus olhares, agora já maduros,
vem como noiva, a coisa apetecida.

Nada é pequeno para mim, e amo-o apesar de tudo
e pinto-o em fundo de ouro, e grande,
e ergo-o ao alto, e não sei a quem
libertará a alma…



Rainer Maria Rilke, Poemas, As Elegias de Duino e Sonetos a Orfeu, Porto, O Oiro do Dia. 2000.

quarta-feira, 17 de julho de 2013


SENTIR É DOIS.



                                                                                                                           Rainer Maria Rilke.