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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Thomas Pynchon: Celebridade


- Ele disse algum coisa?
- Não.
Absolutamente nada?
O doutor sacudiu a cabeça mecanicamente e agregou uma nova entoação à sua canção fúnebre de todas as tardes. E na realidade não me inclino muito a crer que o fará.
- Nunca?
- Essa é a minha opinião.
- Mas às vezes vocês enganam-se. Não é assim? Quero dizer que às vezes o cancro desaparece sem razão. É certo? – Sim – Admitiu Witt -. E às vezes de repente os cegos começam a ver, os surdos a ouvir e os coxos a caminhar. Os tontos escrevem poemas. Há um prémio novel esperando o idiota que defina a palavra “milagre”.




Thomas Pynchon, Celebridade.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Thomas Pynchon

- Se quer vender artigos usados - aconselhou - descubra primeiro o que tem procura. Nesta época o que dá são as espingardas. Esta tarde apareceu um tipo que me comprou logo duzentas para a sua equipa de treino. Podia ter-lhe vendido também duzentas braçadeiras com cruzes suásticas, mas, por azar, não as tinha em stock.
- Cruzes suásticas nos excedentes do governo? - admirou-se Oedipa. - Claro que não. - E piscou-lhe o olho em ar de cumplicidade. - Tenho uma fabriqueta à saída de San Diego. Com uma dúzia de negros fazem-se as braçadeiras. É incrível como se vendem. Pus dois anúncios em revistas eróticas e tive de contratar mais dois negros só para tratarem do correio.
-Como se chama? - perguntou Oedipa.
- Winthrop Tremaine - respondeu o industrial empreendedor.


Thomas Pynchon, O Leilão do lote 49.