Upload
a força da paisagem corrompe o texto,
penetra-o pela sua fragilidade.
o jogo do tacto, da fulguração, da tensão cénica
do teu nome -
que de tão tenso não é revelável -
mas posso sempre revelar-te esta fotografia,
não como antigamente, mas
posso sempre entranhá-la no teu subconsciente através do feed
do teu mural
numa dessas redes sociais onde não há espaço a debate porque
cada pessoa é o ditador da sua própria realidade, o que até
é bastante conveniente
se na vida pudéssemos ser confrontados exclusivamente com aquilo
que não nos choca.
deixa-me rejubilar com a força de ver-te e com a força de saber que me vês,
sou assim uma imagem, sou matéria carnal, sou costas e ombros
e pálpebras,
existo porque existe a luz.
deixa-me fazer o upload desta existência directamente na memória
mais profunda
da tua libido.
talvez seja mais simples. o texto é coisa de poetas.
Mostrar mensagens com a etiqueta Sara F. Costa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sara F. Costa. Mostrar todas as mensagens
domingo, 25 de dezembro de 2011
sábado, 3 de setembro de 2011
Sara F. Costa
Contemplação
sento-me na margem da tua infância
e recupero o gosto pelo esquecimento.
as minhas mãos traçam o momento
em que o teu corpo aberto colide com o mar.
imagino o oceano em que te deitas
e a forma como
a tua boca de areia se alarga
até à Praia da Vieira.
imagino os rascunhos de memória
que as horas vão largando
ao longo do caminho.
sinto-te um prolongamento do meu pensamento,
pensamento de água
volátil como a noite que te abriga,
fragmentário como o cheiro do teu nome de flor.
a luz apagou todos os vestígios da terra que nos escorre dos olhos,
deixou-nos entregues à substância húmida do abandono
aos caminhos modernos das várias formas de embriaguez letal.
embriaguez no centro de todas as coisas visíveis,
queimadas ao longo dos extensos pensamentos matinais.
escrever revela-se tão volátil como esfaquear-te,
se é que me entendes.
vivemos na mesma esfera de fogo que acompanha o balanço dos
[enforcados.
o gelo aproxima-se da boca
enquanto despertamos de todo o cansaço
e contemplamos as insónias enferrujadas
por dentro das imagens.
esquecemo-nos de vigiar a natureza quando a realidade tem problemas
ao nível do hardware.
observa, o ar gera filhos nos poros do tempo magro,
a alienação cria escamas firmes pela pele.
por dentro de todas as palavras abstractas
encontramos água
e o peito da terra respira um medo fragmentado.
os gestos nervosos das ruas anestesiam-nos diariamente.
Sara F. Costa: in "Criatura número 1" - Fevereiro 2008.
sento-me na margem da tua infância
e recupero o gosto pelo esquecimento.
as minhas mãos traçam o momento
em que o teu corpo aberto colide com o mar.
imagino o oceano em que te deitas
e a forma como
a tua boca de areia se alarga
até à Praia da Vieira.
imagino os rascunhos de memória
que as horas vão largando
ao longo do caminho.
sinto-te um prolongamento do meu pensamento,
pensamento de água
volátil como a noite que te abriga,
fragmentário como o cheiro do teu nome de flor.
a luz apagou todos os vestígios da terra que nos escorre dos olhos,
deixou-nos entregues à substância húmida do abandono
aos caminhos modernos das várias formas de embriaguez letal.
embriaguez no centro de todas as coisas visíveis,
queimadas ao longo dos extensos pensamentos matinais.
escrever revela-se tão volátil como esfaquear-te,
se é que me entendes.
vivemos na mesma esfera de fogo que acompanha o balanço dos
[enforcados.
o gelo aproxima-se da boca
enquanto despertamos de todo o cansaço
e contemplamos as insónias enferrujadas
por dentro das imagens.
esquecemo-nos de vigiar a natureza quando a realidade tem problemas
ao nível do hardware.
observa, o ar gera filhos nos poros do tempo magro,
a alienação cria escamas firmes pela pele.
por dentro de todas as palavras abstractas
encontramos água
e o peito da terra respira um medo fragmentado.
os gestos nervosos das ruas anestesiam-nos diariamente.
Sara F. Costa: in "Criatura número 1" - Fevereiro 2008.
Subscrever:
Mensagens (Atom)