Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel António Pina. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel António Pina. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, 4 de março de 2020
quinta-feira, 6 de dezembro de 2018
Manuel António Pina: Passagem
Com que palavras ou que lábios
é possível estar assim tão perto do fogo,
e tão perto de cada dia, das horas tumultuosas e das
serenas,
tão sem peso por cima do pensamento?
Pode bem acontecer que exista tudo e isto também,
e não só uma voz de ninguém.
Onde, porém? Em que lugares reais,
tão perto que as palavras são de mais?
Agora que os deuses partiram,
e estamos, se possível, ainda mais sós,
sem forma e vazios, inocentes de nós,
como diremos ainda margens e como diremos rios?
Manuel António Pina. Todas as palavras - poesia reunida
1974-2011. Assírio & Alvim, 2012
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Manuel António Pina
O Bilhete de Identidade
de um escritor é, na realidade (não me lembro onde é que li isto), o seu
bilhete de alteridade.
Manuel António Pina
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Manuel António Pina
Farewell Happy Fields
I.
Entre a minha vida e a minha morte
mete-se subitamente
A Atlética Funerária, armadores,
casa fundada em 1888
A esses sítios acorrem então, aflitíssimos,
o teu vago sorriso
e a vaga maneira como dizes os
esses;
vêm de muito longe e chegam
incompletamente
ao pequeno vulnerável sítio entre
toda a minha vida e toda a minha
morte,
quando a minha última recordação
atirou já com a porta
e tudo está acabado, até a tua
respiração
na cama ao meu lado
(…)
Manuel António Pina, Farewell Happy Fields, Porto, E.A.,1993,
sábado, 26 de outubro de 2013
Manuel António Pina
Amor como em Casa
Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
Manuel António Pina (2001), Poesia Reunida, Lisboa, Assírio & Alvim.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Manuel António Pina
HEGEL, FILÓSOFO ESPORÁDICO?
Ninguém morreu de morte tão natural como Hegel.
Alguns anos antes tinha descoberto, horrorizado,
que Deus o havia colocado, exactamente no centro de Tudo.
Morreu como um bárbaro: subitamente o seu coração
parou de bater, e inclinou levemente a cabeça sobre o lado direito.
É sempre outro que escreve. (Como poderia o Escritor, ele próprio,
mesmo quando é um Filósofo, reconhecer o que está ali para ser escrito?)
Quem escreveu o poema «A Eleusis» que Hegel, há 200 anos
dedicou a Hölderlin? Porque combateu Hegel a positividade?
A que descobertas chegou Schelling, conservador em Berlim,
entre os seus papeis? Que mão deitou fogo, em 1946, à sala dos Apócrifos
do Museu Gnóstico de Túbingen?
Slim da Silva, hetero-personagem de Manuel António Pina em: Aquele que quer morrer, 1978, Regra do Jogo.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



