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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Joaquim Cardoso Dias. Quarto Escuro


Estou demasiado perto
das coisas que não existem.
Devoro os meus animais
 e dou ar ao mundo,
com um dos seus cantores fascinados.
Sobre o que dissemos ontem, os dentes mais felizes.
E misteriosamente os braços são lindos.
Imaginam o que comiam se eu fosse
uma criança perfeita,
e têm pelos repetidamente fáceis de pensar.
Mas os outros já não existem na morte.
Tento acender outras imagens devoradas pelo tempo.
e sei que é por tua causa
que esta noite existe e se repete
a vida inteira.


Joaquim Cardoso Dias, in Meditações sobre o Fim: os últimos poemas, Lisboa, Hariemuj, 2012. (p. 116).

Joaquim Cardoso Dias. Sem mentir


ainda não sei se o amor esteve aqui de luz acesa
e se caminhou nu toda a noite
pelo tecto do quarto mas
eu tirei a roupa toda bebi água
e não te telefonei
qualquer coisa assim atirou-me de bruços
para o coração e lembrei-me
de te esquecer desde o começo
muito longe e alto nas escadas de incêndio
foda-se como acreditar que te amo
sem mentir


Joaquim Cardoso Dias, in Meditações sobre o Fim: os últimos poemas, Lisboa, Hariemuj, 2012. (p. 117).

Joaquim Cardoso Dias. Pequeno Poema


hoje vou acreditar que ao escrever
o nome de um pássaro branco
o teu silêncio fascinado
se atira ao mar
com estas asas


Joaquim Cardoso Dias, in Meditações sobre o Fim: os últimos poemas, Lisboa, Hariemuj, 2012. (p. 118)