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terça-feira, 30 de julho de 2013

Luis Buñuel


Não me parece nem bem nem mal

Eu creio que às vezes nos contemplam
pela frente ou por trás dos costados
uns olhos rancorosos de galinha
mais terríveis que a água apodrecida das grutas
incestuosos como os olhos da mãe
que morreu no patíbulo
pegajosos como um coito
como a gelatina que devoram os abutres
eu creio que ei-de morrer
com as mãos afundadas no lodo dos caminhos
eu creio que se me nascesse um filho
ficaria a olhar eternamente

as bestas que copulam aos entardeceres.

                                                                                                           Luis Buñuel.
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Luis Buñuel

NÃO ME PARECE BEM NÃO ME PARECE MAL

Eu creio que por vezes nos contemplam
à nossa frente      atrás de nós     ao nosso lado
uns olhos rancorosos de galinha
mais temíveis do que a água podre das grutas
incestuosos como os olhos da mãe
que morreu no patíbulo
pegajosos como um coito
como a gelatina que os abutres engolem

Creio que hei-de morrer
de mãos espetadas na lama dos caminhos

Creio que se me nascesse um filho
ele quedar-se-ia eternamente a olhar
as bestas que copulam ao entardecer